
Num passo que pode ajudá-los a mapear o futuro das notícias na internet, a Associated Press e o Yahoo negociam um acordo que vai aumentar as restrições e, possivelmente, o preço dos textos da AP distribuídos no site de notícias do portal americano, segundo pessoas a par da situação.O acordo, que deve ser fechado nas próximas semanas, começará a definir um conflito importante e cada vez mais sério na imprensa moderna: como as empresas de notícias devem lidar com os grandes portais de internet, que alguns editores acusam de lucrar injustamente com o seu trabalho, roubando milhões de dólares em receita.A AP já afirmou que seu objetivo é corrigir acordos anteriores, que deram a portais de internet como o Yahoo acesso a um amplo leque de artigos on-line num único pacote. Esses acordos ajudaram a tornar o material da AP onipresente, mas executivos dizem que eles também diluíram o valor do material noticioso da agência por não limitar sua disponibilidade ou distinguir artigos que são peculiares. Um porta-voz da AP não quis comentar as negociações. O Yahoo também não quis comentar, afirmando apenas que "a AP é um dos parceiros de conteúdo mais importantes do Yahoo. O Yahoo valoriza o longo relacionamento com a AP e espera que ele continue por vários anos futuros."
A AP vem brigando com o Google, a Microsoft e o Yahoo sobre os termos do contrato de distribuição de notícias dela em seus sites, e a pressão sobre todas as partes está crescendo à medida que o vencimento se aproxima. O Google, cujo contrato com a AP termina no fim do mês, parou recentemente de publicar material da agência em seu site noticioso, aparentemente num esforço para limpar o site de todo o conteúdo da empresa caso não consiga fechar um acordo até o fim do mês. O Google afirmou que seu acordo com a AP "permite que hospedemos o conteúdo nos sites do Google", mas que não está acrescentando conteúdo novo da AP "no momento".
A AP, que tem mais de 1,5 mil jornais americanos associados, conta com uma capacidade única de organização num setor fragmentado e tem liderado as tentativas de controlar como e onde as notícias são publicadas. A cooperativa de jornais, sem fins lucrativos, está atualmente testando um sistema para marcar e acompanhar todo o seu conteúdo e, posteriormente, o de seus associados, para fiscalizar o cumprimento de seus termos contratuais. Os esforços ocorrem num momento em que editoras debatem como coletar comissões quando seu conteúdo é distribuído on-line, agora que sua principal fonte de receita, a publicidade, está enfraquecida e muitos de seus leitores obtêm notícias da web.
A News Corp., dona do "The Wall Street Journal", tem sido uma crítica particularmente ruidosa do Google e de outros sites que publicam trechos de seus artigos. A companhia sediada em Nova York já negociou com a Microsoft um plano para tirar seu conteúdo jornalístico do site de busca do Google e divulgá-lo apenas nos sites da Microsoft, segundo pessoas a par da situação.
As negociações da AP com o Yahoo e outros portais também incluíram licenciamento de material em diferentes níveis, separando as notícias de última hora do conteúdo mais exclusivo, por exemplo, segundo pessoas a par da questão.
A depender do contrato que o Yahoo assinar com a AP, a nova estrutura de pagamentos pode implicar mais custos para a gigante da internet, disseram as pessoas a par da questão. A AP também pediu que o Yahoo cumpra termos de uso mais rígidos definidos no novo acordo, com duração de dois anos. E a AP também quer manter em aberto a opção de vender pacotes de artigos para outros meios de comunicação ou diretamente aos leitores, disseram as pessoas.
O novo sistema de acompanhamento de textos da AP também integra as negociações com Yahoo, Google e Microsoft, por cujas ferramentas de busca passa até 50% do tráfego para os sites dos maiores jornais.
Executivos da AP já disseram que o sistema não apenas vai policiar sites independentes que reproduzem textos sem autorização e sem pagar, como também aumentar a receita obtida com os sites de busca, que já pagam à AP para hospedar textos ou publicar links. O sistema, anunciado em meados do ano passado, ainda está na fase de testes, informou a AP.
O Google há muito afirma que simpatiza com as editoras e que estas podem tornar seu material inacessível ao Google quando quiserem. O Google também já trabalhou com algumas editoras para desenvolver produtos voltados, em parte, a aumentar o tráfego para seus sites.
Alguns portais de internet podem relutar em subscrever um sistema que dá aos editores ampla informação e controle sobre o conteúdo. Eles poderiam, também, decidir que apesar de toda a sua influência como empresa de notícias, a AP não é tão indispensável que os portais precisem aceitar mais restrições para publicar seu material. "Nem todas as notícias vêm da AP", disse Danny Sullivan, editor da SearchEngineLand.com, que monitora sites de busca. Mas editoras de jornais esperam que esse não venha a ser o caso. Ao liderar essas negociações, a AP "poderia dar uma oportunidade para outros jornais e empresas jornalísticas de (...) fechar acordos similares" com os portais, disse Jim Moroney, editor-chefe do jornal "Dallas Morning News".