
Quem ainda tem tempo de sentar no sofá e ver TV? Nos últimos dez anos, emissoras de TV perderam 25% de sua audiência. Então, para recuperar alguns espectadores, o setor tem um plano para prender a atenção das pessoas em movimento. A partir de abril, oito emissoras de televisão de Washington D.C. irão transmitir um sinal para uma nova classe de aparelhos capazes de mostrar a programação televisiva mesmo em um carro em alta velocidade.Ao todo, 30 emissoras de Atlanta, Chicago, Los Angeles, Seattle e Washington instalaram o equipamento necessário, a custos de US$ 75 mil a US$ 150 mil.
"Gerações mais jovens querem programação móvel", disse Dennis Wharton, porta-voz da Associação Nacional de Radiodifusores. "O acesso à TV no celular, no laptop ou no carro é uma mudança de jogo para as emissoras locais. Isso trará um renascimento para a transmissão de TV por ondas aéreas."
Se um número suficiente de pessoas assistir à TV usando a tecnologia móvel, conhecida como, por falta de um nome mais comercial, "Padrão ATSC de TV Digital Móvel", as emissoras locais poderão cobrar mais pelos comerciais e aumentar sua receita.Capturar sinal numa TV portátil nem sempre foi um desafio. Quando a televisão analógica era o padrão do país, um pequeno aparelho era capaz de capturar o sinal num estádio de beisebol, na praia ou no carro, embora os espectadores tivessem que aguentar a imagem de má qualidade.Mas o padrão americano de TV digital oficializado no ano passado foi desenvolvido para televisões estáticas. Os aparelhos móveis precisam capturar um sinal especial, uma fatia da frequência de transmissão, e o software processa o sinal para mostrar uma imagem nítida e portátil.A tecnologia será usada em novas televisões portáteis com telas de até dez polegadas e em smartphones e laptops com adaptadores especiais que também receberão os sinais. Os aparelhos devem ficar dentro de um raio de 96 km de uma torre de transmissão para obter uma imagem com a mesma nitidez da televisão em casa.Os primeiros aparelhos estarão disponíveis em abril. Eles incluem um aparelho de TV e DVD de US$ 249 da LG; um aparelho de US$ 120 do tamanho de uma caixa de cigarro da Valups, fabricante coreana de conversores digitais, que retransmite o sinal móvel a um iPhone, iPod ou BlackBerry através de uma rede sem fio; hardlocks de PC (adaptadores de plugue) e conversores para automóveis da iMovee; e uma TV móvel para iPhone/iPod de US$ 149 da Cydle.Depois que os sinais forem ligados e os aparelhos ganharem popularidade, as emissoras podem acrescentar canais especiais, como esportes ou previsão do tempo, oferecendo mais oportunidades de receita.O padrão de TV digital móvel também permite uma comunicação de mão dupla. Ao ver um comercial, o espectador pode apertar o botão para ver mais informações ou requisitar que elas sejam enviadas por e-mail. O sistema também pode ser usado para votações, enquetes e medições de audiência.Os aparelhos de TV móveis com função GPS também poderiam fornecer comerciais específicos em certos locais, por exemplo, o comercial de um restaurante só apareceria para alguém que se encontrasse perto dele.Se a TV digital móvel se mostrar popular, ele poderá ameaçar a FLO TV, um serviço de assinatura desenvolvido pela Qualcomm que oferece a programação das quatro principais emissoras comerciais de TV, bem como Comedy Central, ESPN, entre outros. Para assistir, os assinantes devem comprar um receptor de US$ 200 ou um smartphone compatível e pagar US$ 150 de anuidade, ou US$ 200 por dois anos.
"A TV digital móvel gratuita será devastadora para o que já é um mercado muito pequeno da FLO TV", disse Richard Doherty, analista do Envisioneering Group.
A FLO TV não vê a questão da mesma forma. Ela espera vender seus serviços como um adicional especial, da mesma forma que os consumidores assistem à TV aberta e pagam por serviços de cabo. "Poderia haver algo como "O Melhor do Canal FLO TV" que venderíamos junto de canais digitais gratuitos", disse Alice Kim, vice-presidente sênior de estratégia da companhia.Como a FLO é direcionada ao mercado de smartphones, as emissoras por trás do esforço da TV digital móvel estão ansiosas para que seu serviço também seja desenvolvido para celulares. A Samsung Electronics, uma das maiores fabricantes de celular do mundo, está testando a TV móvel em um celular Moment modificado para descobrir se a tecnologia é uma boa oportunidade de negócio para as operadoras móveis.