
A internet deve ser vista como o veículo de comunicação menos suscetível à censura no mundo contemporâneo.Na internet, a liberdade de expressão deve ser mantida como um princípio que, mesmo sendo constantemente debatido, está afinado com os princípios da Constituição, que garante a livre manifestação da comunicação.Foi o que defendeu ontem, em São Paulo, o professor Joaquim Falcão, da Fundação Getulio Vargas (FGV), do Rio de Janeiro, ao participar do seminário “Liberdade de imprensa e democracia na América Latina”.
Para Falcão, deve-se partir da garantia constitucional de que a internet é comunicação, pressupondo três pontos: quem fala/quem ouve, quem posta/quem acessa, quem escreve/ quem lê: — Se você aceita essa relação, aí está a liberdade de expressão.A internet radicaliza esse ponto porque todo mundo é ao mesmo tempo fonte e
destinatário, escritor e leitor.Uma demonstração do poder da internet, segundo Falcão, é que a rede deu fato novo ao caso do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEM), flagrado distribuindo dinheiro para assessores e aliados políticos, extrapolando os noticiários de televisão que apresentaram as imagens repetidas vezes, mas, depois de alguns poucos dias, substituíram o fato por outros assuntos do dia a dia.De acordo com análise de Joaquim Falcão, estudioso da internet do ponto de vista do Direito, a rede de computadores “perpetuou a indignação”.
— A internet perpetua a indignação, a imagem está sempre lá — disse, lembrando de outro fato atual, com a mesma repercussão: o helicóptero das Forças Armadas dos Estados Unidos metralhando civis no Iraque, como se os soldados estivessem com um videogame nas mãos.
— Na TV, o espaço é finito. Na internet, não. É infinito. Essa imagem do helicóptero vai permanecer até o governo americano tomar posição — disse o professor, que participou ontem, em São Paulo, do painel “Formas de censura” do seminário sobre liberdade de imprensa.