terça-feira, 25 de maio de 2010

Celulares fazem tudo, menos ligações!


Liza Colburn usa constantemente o celular. Usa o aparelho para ouvir música na academia, examinar a quantidade de calorias que ingeriu e atualizar suas contas no Twitter e no Facebook. Ela só não usa muito o celular para fazer ligações. "Provavelmente, só falo com alguém pelo celular uma vez por semana", diz Liza, consultora de marketing de 40 anos que trabalha em Canton, Massachusetts, e tem um iPhone.Para muitos americanos, os celulares são aparelhos insubstituíveis para administrar suas vidas e se relacionar com o mundo exterior. Mas cada vez mais, sob vários aspectos, isso não significa usar muito o aparelho para conversar. Embora quase 90% das famílias nos Estados Unidos possuam um celular, o aumento no número de minutos de voz usados pelos consumidores estagnou, segundo dados do setor e do governo. E isso apesar de, a cada ano, um número maior de lares desligar suas linhas fixas para ficar apenas com a móvel.Assim, em vez de falar nos seus telefones, as pessoas estão fazendo uso de todos os extras que os iPhones, os BlackBerrys e outros aparelhos inteligentes foram projetados para oferecer - como navegar na internet, ouvir música, ver TV, jogar e enviar e-mails e mensagens de texto.O número de mensagens de texto enviadas por usuário cresceu quase 50% no ano passado, segundo o CTIA, grupo que acompanha o setor de telefonia sem fio. E, segundo analistas e executivos do setor, em 2009, pela primeira vez nos Estados Unidos, o volume de dados em texto, mensagens por e-mail, vídeo em streaming, música e outros serviços nos telefones móveis ultrapassou o volume de dados de voz. Segundo o diretor-executivo da operadora Sprint Nextel, Dan Hesse, hoje as conversas já representam menos da metade do tráfego nas redes de telefonia celular.Design. A mudança acontece mesmo diante do barateamento das ligações, resultado da acirrada competição entre as redes sem fio rivais. E até o setor de design está atento a essa transformação. De acordo com o analista de telecomunicações do NPD Group, Ross Rubin, os celulares com teclado numérico - mais fáceis para se digitar rapidamente um número de telefone - não estão mais em moda. Por outro lado, as telas sensíveis a toque, ou dispositivos de envio rápido de mensagens com teclado Qwerty (semelhante ao do computador) é que estão em voga.Nos celulares mais modernos, os usuários pressionam diversos botões ou passam por várias telas para conseguir a aplicação que lhes permite fazer telefonemas. "O design do aparelho manual se tornou bem menos favorável para os maxilares" define Rubin.Essa mudança deve se refletir, em breve, no bolso dos consumidores. Para Dan Hesse, da Sprint Nextel, nos próximos anos os usuários de celulares serão cobrados pelos dados que usarem, não pelos minutos de voz, o que é previsto por outros executivos do setor.Ainda segundo dados da CTIA, atualmente, quando as pessoas conversam nos seus telefones, as conversas são mais curtas: a duração média de uma chamada local foi de 1,81 minuto em 2009, comparada com os 2,27 minutos em 2008. O resultado é que os minutos de voz não usados se acumulam para alguns clientes. "Tenho milhares de minutos não usados", diz o editor da revista Good, de Los Angeles, Zach Frechette, de 28 anos. Ele diz que só faz uma chamada quando precisa falar com alguém com urgência - mesmo assim, a conversa nunca passa de 30 segundos. "Assinei um plano com o mínimo de minutos disponíveis, e nem mesmo chego a utilizar", afirma.Adolescentes. Mas o uso dos celulares para funções extras é maior mesmo entre os adolescentes. Mais da metade deles envia cerca de 1,5 mil mensagens de texto por mês, segundo um estudo recente para um projeto envolvendo a internet e a vida americana, realizado pelo Pew Research Center.Liza Colburn, de Massachusetts, afirma que cedeu ao pedido da filha de 12 anos, que queria um celular para enviar mensagens de texto aos amigos, depois que ela e o marido descobriram que a falta do aparelho estava impedindo a menina de fazer amizade com seus colegas de escola. "Percebemos que ela estava sendo excluída, não recebia convites para festas e não se informava sobre seus colegas", conta. "Outra noite ela me enviou uma mensagem de texto do andar de cima, fazendo uma pergunta sobre um termo de vocabulário. Mas, então, estabeleci um limite. Subi no quarto dela e respondi pessoalmente".