
Agora que o Brasil já sabe que vai montar iPads, surgiu um novo desafio para a comercialização do aparelho, a taxação. O aparelho ainda não "existe" para a Receita Federal, então iniciou-se uma discussão sobre o que se deve fazer: classificá-lo como notebook ou criar uma categoria própria para tablets.Os iPads presentes no Brasil atualmente vêm de importação e carregam no preço cerca de 51% em impostos, conforme noticiado em reportagem de Camila Fusco na Folha.com. Os principais são o Imposto de Importação (cuja alíquota é de 16%) e o IPI (15%), mas quando vai para a loja outras taxas são colocadas. A conta mostra que 40% do valor é imposto, ou seja, dos R$ 1,399 pagos no modelo mais modesto, R$ 560 vão para o fisco.Caso o gadget "vire" um notebook, será beneficiado por uma significativa queda no preço. Os fabricantes, por exemplo, terão apenas 17% de carga tributária, e o tablet chegaria ao varejo com um terço dos impostos atuais. Tudo isso graças à uma série de incentivos, como a redução no Imposto de Importação para seus componentes, isenções de PIS, Cofins, IPI e ICMS.Um dos problemas para esse tipo de classificação é que o tablet não tem teclado físico, e isso vem sendo questionado pelos agentes. Representantes do governo chegaram a apresentar um aparelho desmontado à Receita para mostrar seu funcionamento.Se não der certo, ainda há a possibilidade de colocar o tablet na linha de produtos conhecidos pelo fisco. Neste caso, não haveriam os mesmo incentivos fiscais, e o fabricante passaria a desembolsar 32.9% em imposto - no varejo, o consumidor arcaria com outros 25%.
Tablet a R$ 500: uma quase realidade
Somente o fato de ter uma fábrica nacional de iPads já é garantia de redução considerável no valor final do tablet, mas isso ainda não fecha a conta dos R$ 500 sonhados pelo governo brasileiro. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tem dito que o valor seria o ideal para o país.Entretanto, como explica Maurício Grego na Exame.com, nem todas as vantagens da fabricação local seriam suficientes para uma redução a tal ponto. Para se ter um tablet a esse valor, teria de ser feita uma combinação inteligente entre redução de imposto e escolha adequada de modelo - no caso, um com a versão mais modesta do sistema operacional Android.Qualquer tablet fabricado no Brasil gozaria das mesmas vantagens fiscais citadas acima, dependendo apenas da classificação que obtiver da Receita. A redução final nos impostos, que bate a taxa de 40%, daria ao fabricante a possibilidade de repassar a vantagem ao consumidor ou subir sua margem de lucro, mas a concorrência deve fazer com que opte pela primeira opção.Grego dá exemplos de aparelhos asiáticos que teriam possibilidade de alcançar os R$ 500. Todos eles possuem versões atrasadas do sistema do Google, memória inferior e possuem, ressalta, "qualidade construtiva questionável".Os tablets "xing ling" podem ser comprados por até menos de US$ 200 (ou R$ 320), mas com várias limitações não encontradas nos aparelhos de grandes companhias, como Apple e Motorola, entre outras.